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Desmatamento na Amazônia recua 61% em maio

Dados do Inpe apontam a maior redução percentual da história para o mês, enquanto o governo federal utiliza os resultados para rebater ameaças de tarifas dos Estados Unidos.

Desmatamento na Amazônia recua 61% em maio

O desmatamento na Amazônia Legal registrou uma queda histórica de 61,4% no mês de maio deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Essa é a maior redução percentual já registrada para o mês na região, resultando em 370 quilômetros quadrados de área derrubada frente aos 960 quilômetros quadrados computados em maio do ano anterior.

Os novos dados são do sistema de monitoramento em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e foram apresentados nesta quinta-feira durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Observatório Regional Amazônico, em Brasília.

A diminuição expressiva da destruição representa um marco importante porque o mês de maio indica o início da estação seca na região amazônica, período em que a derrubada de árvores costuma aumentar significativamente. De acordo com as informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, esse resultado positivo reflete as constantes operações de fiscalização em campo coordenadas pelo Ibama e pelo ICMBio.

As equipes atuaram de forma intensiva com a aplicação de embargos remotos e proteção direta em unidades de conservação federais, assentamentos e terras indígenas. Diante do bom desempenho mensal, as autoridades ambientais estimam que a taxa anual oficial, que fecha no final de julho, atinja o menor patamar de desmatamento de toda a história do bioma.

O Cerrado também acompanhou a tendência de retração na perda de vegetação nativa. No mês de maio, a supressão de plantas nessa região recuou 12,2% em relação ao ano anterior, acumulando uma queda de 8,2% no período que vai de agosto a maio, o que representa a menor área desmatada já registrada no acumulado do bioma.

O monitoramento do órgão de pesquisa revelou que a maior parte dos alertas de desmatamento no Cerrado ocorreu dentro de propriedades privadas regularizadas, onde o Código Florestal permite a retirada legal de até 65% da vegetação. Já na Amazônia, uma parcela significativa dos alertas se concentrou em florestas públicas não destinadas e áreas sem registro fundiário, o que caracteriza a prática como estritamente criminosa.

A divulgação desses resultados científicos ocorre em um momento de atrito diplomático e comercial com o governo dos Estados Unidos, que sugeriu recentemente uma taxação punitiva de 25% sobre os produtos brasileiros. O argumento americano baseia-se na alegação de que o Brasil falha em aplicar suas leis ambientais de forma eficaz e que estaria exportando madeira extraída ilegalmente.

O presidente Lula e os ministros rebateram os posicionamentos de Washington, classificando as acusações como um equívoco. O governo brasileiro ressaltou que os dados comprovam a eficiência do controle ambiental do país rumo à meta de desmatamento zero até 2030 e garantiu que toda a cadeia de exportação de madeira nacional possui rastreabilidade total por códigos de barras, impossibilitando o envio de materiais ilegais ao exterior.

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