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Copa do Mundo de 2026 começa com novo formato e forte tensão política

Maior parte dos jogos ocorre nos Estados Unidos, onde políticas migratórias e conflitos internacionais restringem o acesso de jogadores, árbitros e torcedores.

Copa do Mundo de 2026 começa com novo formato e forte tensão política

A Copa do Mundo de 2026 tem seu início nesta quinta, dia 11, com o jogo entre México e África do Sul no Estádio Azteca, localizado na Cidade do México. A atual edição entra para a história por ser a primeira sediada de forma conjunta por três nações diferentes: México, Canadá e Estados Unidos.

O torneio também marca a estreia de um modelo mais amplo, contando agora com 48 seleções que foram divididas em 12 grupos. Os dois melhores times de cada chave e os oito melhores terceiros colocados passam para a fase eliminatória, somando um total de 104 partidas disputadas.

Apesar da divisão do evento entre os três países, a imensa maioria dos confrontos acontecerá em território americano. Das 16 cidades selecionadas para o torneio, 11 ficam nos Estados Unidos e serão palco de 78 jogos, englobando quase todas as partidas decisivas. O Canadá receberá os eventos esportivos em Toronto e Vancouver, enquanto o México utilizará seus estádios na capital, em Monterrey e na cidade de Guadalajara.

O protagonismo dos americanos na organização acabou misturando o esporte com a rígida agenda política do presidente Donald Trump. O recente reinício das hostilidades militares entre os Estados Unidos e o Irã prejudicou diretamente a seleção iraniana, que jogará a primeira fase em arenas americanas.

A equipe foi proibida pelo governo de pernoitar no país e precisou transferir sua concentração do Arizona para a cidade mexicana de Tijuana. Além de atrasos e de negativas na concessão de vistos para diversos membros da equipe, as autoridades cancelaram a cota de ingressos que seria destinada aos torcedores daquele país asiático poucos dias antes da abertura.

A forte política imigratória aplicada pelo governo americano afetou também outros profissionais do esporte. O atacante iraquiano Aymen Hussein passou sete horas retido sob interrogatório ao chegar em Chicago, e o fotógrafo de sua delegação foi sumariamente barrado após ter o próprio celular revistado. Outro caso de grande repercussão internacional foi o do árbitro somali Omar Artan.

Escolhido oficialmente para apitar no mundial, ele teve a sua entrada negada ao desembarcar em Miami e precisou retornar para a Somália, país que é um alvo constante das operações e dos discursos de Trump. Em resposta a todos esses bloqueios, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, declarou que a situação é lamentável e garantiu que a organização tenta negociar nos bastidores, embora ressalte que a entidade não possui controle sobre as decisões soberanas da nação anfitriã.

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