Manobra regimental esgota prazo de pedido de vista e garante a continuidade da análise da proposta de redução da jornada de trabalho.
A Câmara dos Deputados realizou na manhã desta quarta-feira uma sessão no plenário que durou exatos oito minutos. O objetivo desse encontro extraordinariamente rápido foi cumprir os trâmites regimentais necessários para destravar a votação da Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho para um dia de descanso.
Com o relógio correndo a favor, os parlamentares buscam aprovar a medida na comissão especial o mais rápido possível.
O curto encontro foi comandado pelo deputado baiano - Charles Fernandes, do PSD. A reunião não incluiu nenhuma votação formal de projetos e contou com espaço apenas para pronunciamentos. O único parlamentar a subir na tribuna foi o deputado Jorge Solla, do PT da Bahia, que utilizou o momento para defender publicamente a redução da carga horária dos trabalhadores brasileiros.
A necessidade dessa estratégia regimental surgiu na última segunda-feira, quando o relator da proposta, o deputado Leo Prates, do partido Republicanos da Bahia, entregou o seu parecer final. Logo em seguida, a oposição formalizou um pedido de vista para ganhar mais tempo de avaliação sobre o texto.
Pelas regras da Câmara, esse prazo de suspensão dura o tempo equivalente a duas sessões do plenário. Para queimar essa etapa sem atrasos, o presidente da Casa, Hugo Motta, convocou de forma estratégica uma sessão na tarde de terça-feira e outra na manhã desta quarta-feira.
Com o esgotamento do prazo da oposição, a comissão especial ficou liberada para realizar sua reunião e votar a matéria ainda nesta manhã. Se o documento for aprovado pelo colegiado, o plano é enviar o projeto imediatamente para a decisão final no plenário principal, com chances de votação já a partir da nova sessão marcada para a tarde de hoje ou na manhã da próxima quinta-feira.
Existe uma forte movimentação da base governista e da presidência da Casa para acelerar a aprovação, visto que o projeto é considerado de grande apelo e peso eleitoral.




