Teerã classifica suas exigências como uma oferta generosa, enquanto Donald Trump rejeita os termos e mantém o impasse diplomático
As negociações para encerrar o conflito armado entre Estados Unidos e Irã enfrentam um novo período de estagnação após uma troca de declarações duras entre as duas nações. Nesta segunda-feira, o governo iraniano defendeu publicamente o conjunto de condições que apresentou para selar a paz, classificando a proposta como um gesto de boa vontade e responsabilidade para com a segurança regional.
A manifestação ocorre em resposta direta ao presidente Donald Trump, que utilizou suas redes sociais no domingo para rotular as exigências iranianas como completamente inaceitáveis, elevando o clima de incerteza sobre a manutenção do cessar-fogo estabelecido em abril.
O núcleo do desentendimento reside em visões opostas sobre soberania e segurança. Do lado iraniano, o Ministério das Relações Exteriores argumenta que o país tem o direito legítimo de controlar o Estreito de Ormuz e exige garantias de que não haverá novos ataques, estendendo essa proteção também ao Líbano e ao Hezbollah.
Teerã condiciona o fim da guerra ao levantamento imediato do bloqueio naval e das sanções econômicas impostas pelo escritório de controle de ativos estrangeiros dos EUA, além de cobrar indenizações financeiras pelos prejuízos sofridos durante o confronto.
No campo nuclear, o impasse também é profundo. O Irã aceita diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para uma nação neutra, porém exige o direito de retomar esse material caso os Estados Unidos abandonem o acordo no futuro.
Além disso, embora concorde em pausar o enriquecimento por um período determinado, o governo iraniano rejeita o prazo de 20 anos sugerido por Washington e se nega a desmontar suas instalações nucleares, sob o argumento de que seu programa possui finalidades exclusivamente civis.
Por outro lado, o governo americano mantém exigências que o Irã considera unilaterais. Originalmente, Washington buscava o cancelamento total das atividades nucleares e a desativação das usinas.



