Biocombustível de segunda safra é o primeiro do mundo a ter pegada de carbono validada pela Organização Marítima Internacional
O Brasil alcançou um marco regulatório histórico que posiciona o país na vanguarda da descarbonização do transporte marítimo mundial. A Organização Marítima Internacional (IMO) aprovou a definição da pegada de carbono do etanol de milho de segunda safra brasileiro, tornando-o o primeiro biocombustível do mundo a obter essa validação técnica para uso em navios.
A conquista garante uma vantagem competitiva estratégica frente a grandes produtores, como os Estados Unidos, na disputa pelo fornecimento de alternativas energéticas sustentáveis para a frota global.
Eficiência ambiental e metas de neutralidade
A aprovação ocorreu durante a última reunião do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho da IMO, em Londres. Os dados técnicos estabeleceram para o etanol brasileiro um valor padrão de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule, um índice significativamente inferior aos 93,3 gramas registrados pelo combustível fóssil tradicional, o bunker.
Essa métrica serve como uma diretriz clara para que empresas de navegação selecionem combustíveis que atendam às metas globais de redução de emissões de gases de efeito estufa, setor que hoje representa uma fatia considerável das emissões mundiais.
Diferenciais da produção nacional e expansão tecnológica
O protagonismo do biocombustível brasileiro é atribuído às características únicas de seu sistema produtivo, especialmente o modelo de dupla safra, onde o milho é cultivado logo após a colheita da soja. Além disso, a utilização de biomassa no processo industrial contribui para uma menor intensidade de carbono em comparação ao milho produzido em outras regiões.



