Governo e Congresso buscam acordo para reduzir a carga horária de forma gradual nos próximos anos e acalmar o setor empresarial
A apresentação do texto que sugere o fim da escala semanal de seis dias de trabalho para um de descanso está prevista para esta segunda-feira na Câmara dos Deputados. O principal desafio do relator do projeto, o deputado Leo Prates, é definir como funcionará a regra de transição para a nova realidade trabalhista brasileira.
Durante as reuniões da comissão especial dedicada ao tema, políticos, empresários e trabalhadores buscam um acordo sobre o prazo ideal para estabelecer a jornada de quarenta horas semanais, garantindo cinco dias de atividade e dois de folga, mantendo os salários atuais.
As opiniões sobre a velocidade dessa mudança são bastante divididas. Uma parcela defende que o projeto entre em vigor integralmente logo após a sua aprovação. Por outro lado, grupos preocupados com o impacto no setor produtivo sugerem um prazo de adaptação longo, de até dez anos, e pedem compensações fiscais para as empresas, uma ideia que encontra forte resistência por parte do governo federal.
Para o Palácio do Planalto, o cenário ideal envolve uma redução na jornada já neste ano, uma vez que a alteração se consolidou como uma das grandes bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Informações de bastidores indicam que o chefe do Executivo e o presidente da Câmara, Hugo Motta, trabalham em um modelo de transição gradual estruturado para durar dois anos.
A proposta mais forte em discussão estabelece um cronograma de cortes progressivos. A primeira etapa aconteceria cento e vinte dias após a aprovação da lei, reduzindo a carga de quarenta e quatro para quarenta e três horas semanais, o que já poderia ocorrer por volta de outubro deste ano.
Um ano após essa primeira mudança, em outubro de 2027, a jornada cairia para quarenta e duas horas. O ciclo de dois anos terminaria em outubro de 2028, quando um corte final de duas horas estabeleceria o limite de quarenta horas semanais.
Existe também uma segunda alternativa em análise para suavizar o impacto financeiro para os empregadores. Essa opção sugere dividir a redução final de duas horas em dois anos separados. Dessa forma, a jornada passaria para quarenta e uma horas em 2028 e alcançaria as quarenta horas definitivas apenas no ano de 2029, estendendo o processo total de adaptação para três anos.




