Lula retoma liderança contra Flávio Bolsonaro no 2º turno
Levantamento da Quaest reflete o impacto de investigações envolvendo o senador e das recentes sanções americanas ao Brasil.

A nova pesquisa da Quaest, divulgada nesta quarta-feira, revela que o presidente Lula assumiu a dianteira nas intenções de voto para um eventual segundo turno. O atual mandatário registra 44% da preferência do eleitorado, contra 38% do senador Flávio Bolsonaro.
Com esse resultado, o empate técnico que persistia desde março foi rompido, garantindo ao petista uma vantagem de seis pontos percentuais. No cenário de primeiro turno, a vantagem também se mantém, com Lula marcando 39% contra 29% do adversário.
A virada no cenário eleitoral foi impulsionada principalmente pelo eleitorado independente, que representa cerca de um terço dos votantes totais. Nesse grupo específico, o presidente saltou de 29% para 37%, enquanto o senador caiu de 31% para 24%.
Além disso, Flávio perdeu espaço entre eleitores de direita não alinhados ao bolsonarismo. A disputa já havia sido mais folgada para Lula em 2025, mas os números tinham se estreitado nos primeiros meses deste ano antes desta nova oscilação.
De acordo com a direção da Quaest, a queda do parlamentar está diretamente ligada à reação negativa do público ao vazamento de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes. A pesquisa aponta que 65% dos entrevistados avaliam como um erro o pedido de financiamento feito pelo senador para o filme sobre seu pai, e 58% suspeitam de um envolvimento ilícito com o Banco Master.
Em contrapartida, a gestão federal ganhou popularidade recentemente devido a medidas econômicas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e a nova etapa do programa Desenrola.
O levantamento também mediu a percepção popular sobre as recentes ações dos Estados Unidos. A população está dividida sobre a decisão do governo Trump de classificar facções criminosas brasileiras como terroristas, com 45% de aprovação e 45% de rejeição, embora a maioria de 60% concorde que essa classificação deveria ser uma atribuição exclusiva do Brasil. Sobre as novas tarifas econômicas americanas, 53% dos eleitores acreditam que as punições vão prejudicar as empresas nacionais.
As motivações para essas sanções dividem opiniões: parte concorda com Lula de que houve influência de Flávio, parte culpa o sucesso do sistema PIX e outros veem como retaliação a críticas políticas.
O instituto testou ainda outras configurações para o segundo turno. O governador Ronaldo Caiado apresentou um crescimento expressivo e aparece com 44%, em um cenário muito acirrado contra os 45% de Lula. Nas outras simulações, o petista venceria Romeu Zema, que marcou 35%, e Renan Santos, que obteve seu melhor desempenho na série histórica com 31%.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o protocolo BR-07661/2026.