Congresso reage a novas medidas dos EUA contra o Brasil
Parlamentares debatem a classificação de facções como terroristas e a possível taxação de produtos nacionais.

O Congresso Nacional começa a analisar nesta semana duas ações recentes do governo dos Estados Unidos que geraram forte alerta no Brasil. As medidas incluem a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas, além da proposta de aplicar novas tarifas a produtos brasileiros.
Diversas comissões parlamentares vão avaliar os impactos políticos, diplomáticos e econômicos dessas decisões.
Nesta quarta-feira, a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência fará uma reunião para discutir a questão do terrorismo. O presidente do grupo, senador Nelsinho Trad, explicou que a intenção é ouvir ministros, especialistas, autoridades de segurança e diplomatas. O governo de Donald Trump justificou a ação afirmando que as facções são violentas e ameaçam os interesses americanos, o que permite o bloqueio de bens financeiros e restrições severas de vistos.
Políticos brasileiros, no entanto, temem que a decisão fira a soberania do país e prejudique setores como turismo e comércio exterior, avaliando até mesmo o envio de uma missão oficial a Washington.
Ao mesmo tempo, a Comissão de Relações Exteriores do Senado investiga a ameaça de novas sobretaxas americanas, que podem chegar a 37,5% sobre as exportações do Brasil. A justificativa dos Estados Unidos baseia-se em supostas práticas desleais do mercado brasileiro envolvendo o Pix, o setor de etanol, a propriedade intelectual e o combate ao trabalho forçado.
Para tentar minimizar os enormes prejuízos aos produtores nacionais, as lideranças do Senado têm articulado soluções em conjunto com o Itamaraty e com o vice-presidente Geraldo Alckmin.