Relatório do governo americano aponta que a pecuária nacional e a ausência de leis rigorosas de importação criam um cenário de concorrência desleal.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre diversas mercadorias brasileiras. A investigação concluída nesta terça aponta que o Brasil e outras 59 nações falharam em bloquear a comercialização de produtos ligados ao trabalho forçado.
Na visão das autoridades estadunidenses, essa falta de controle legal barateia os custos de produção de forma artificial e prejudica diretamente o comércio internacional.
A cadeia produtiva da carne bovina foi o principal destaque do documento, que mencionou a inclusão de pecuaristas na Lista Suja do Trabalho Escravo do Brasil. Os investigadores constataram que quase toda a carne congelada exportada pelo país em 2025 foi enviada para outras nações que também estão sob investigação, com grande foco na China.
O relatório afirma que o volume de vendas brasileiras no mercado chinês cresceu mais de dezessete vezes em uma década e superou amplamente os concorrentes dos Estados Unidos, já que o produto brasileiro chegou a custar 41% menos.
O levantamento também acusa o Brasil de importar produtos de regiões com histórico de exploração laboral, citando como exemplos o algodão da China, o arroz de Mianmar e o tabaco do Malawi. O governo dos Estados Unidos conclui que a ausência de proibições e punições nas leis brasileiras contra essas importações irregulares permite o uso de insumos de baixo custo na fabricação de mercadorias que acabam sendo enviadas para o próprio território americano.
Para os investigadores, essa dinâmica distorce completamente a concorrência e justifica a imposição da nova cobrança tarifária.




