Governo e entidades do agronegócio contestam exclusão de lista sanitária e agendam reuniões urgentes para evitar prejuízo bilionário em setembro
O governo brasileiro manifestou oficialmente sua surpresa diante da decisão da União Europeia de retirar o país da lista de fornecedores autorizados de produtos de origem animal. Em resposta imediata, os ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores emitiram uma nota conjunta afirmando que adotarão todas as medidas necessárias para reverter o veto antes do dia 3 de setembro, data em que a restrição passa a valer.
Uma reunião estratégica entre a Delegação do Brasil em Bruxelas e autoridades sanitárias europeias já foi agendada para esta quarta-feira.
A exclusão brasileira baseia-se na ausência de garantias sobre o não uso de certos antimicrobianos como promotores de crescimento na pecuária. O governo defende a robustez do sistema de vigilância nacional e lembra que o Brasil exporta para o bloco há quatro décadas com altos padrões de qualidade.
Para retomar o fluxo comercial, que movimenta quase 2 bilhões de dólares anuais, o país precisará comprovar que medicamentos como a virginiamicina e a avoparcina não fazem parte do ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
As principais associações do setor produtivo também reagiram ao anúncio, reforçando que a produção nacional segue protocolos rigorosos de rastreabilidade e monitoramento veterinário. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes destacou que já existe um trabalho em parceria com o governo para adequar os protocolos às novas exigências e que uma missão europeia é esperada no Brasil no segundo semestre para validar esses processos.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal assegurou que o país cumpre integralmente os requisitos e prestará todos os esclarecimentos técnicos necessários.
No setor de mel, a notícia foi recebida com indignação, sendo classificada por lideranças da área como uma medida de caráter político. Representantes dos exportadores argumentam que a acusação de uso excessivo de antibióticos é descabida, visto que o Brasil é líder mundial na produção de mel orgânico.



