Boletim Focus aponta IPCA de 4,91% em meio às tensões no Oriente Médio, enquanto taxa Selic deve encerrar o ano em 13%
O mercado financeiro revisou para cima, pela nona semana consecutiva, a expectativa para a inflação oficial do Brasil em 2026. Segundo os dados mais recentes do Boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano em 4,91%.
O novo percentual ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%, refletindo o impacto direto da guerra no Oriente Médio sobre o valor dos combustíveis e o custo de vida.
Para tentar conter o avanço dos preços, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta. Atualmente fixada em 14,5% ao ano, a taxa básica de juros passou por uma redução recente de 0,25 ponto percentual, apesar do cenário externo conturbado. O mercado projeta que a Selic continue em trajetória de queda lenta, terminando este ano em 13%, com previsões de reduções mais acentuadas apenas a partir de 2027.
O desafio do Comitê de Política Monetária (Copom) é equilibrar o controle inflacionário, que exige juros mais altos para esfriar a demanda, com a necessidade de não sufocar o crescimento econômico.
No que diz respeito ao Produto Interno Bruto (PIB), as instituições financeiras mantiveram a previsão de crescimento para este ano em 1,85%. O resultado demonstra uma desaceleração em relação ao desempenho de 2025, quando a economia brasileira avançou 2,3% impulsionada pelo setor agropecuário.
Para os próximos anos, a expectativa é de uma expansão moderada, girando em torno de 2%, enquanto o dólar deve se manter estável na casa dos R$ 5,20 até o final de dezembro.
A próxima reunião do Copom, agendada para os dias 16 e 17 de junho, será decisiva para definir os rumos da política monetária. Em suas comunicações mais recentes, o Banco Central não deu sinais claros sobre os próximos passos, afirmando que monitora de perto o prolongamento dos conflitos internacionais e seus efeitos sobre a economia doméstica.



