Apesar de lucro recorde no início do ano, empresa revisa projeções financeiras devido à disparada do preço do querosene de aviação
A Latam registrou um desempenho histórico no primeiro trimestre de 2026, com um lucro líquido de 576 milhões de dólares, superando amplamente as projeções do mercado. No entanto, o cenário positivo começou a sofrer alterações significativas devido à crise no setor de combustíveis.
A companhia precisou revisar suas metas de rentabilidade para o restante do ano, reduzindo a expectativa de geração de caixa operacional. O motivo central é o aumento no custo do querosene de aviação, que saltou de uma previsão inicial de 90 dólares para 170 dólares por barril para os próximos meses.
A pressão sobre os custos já reflete diretamente no serviço oferecido aos passageiros. Para o mês de junho, a empresa optou por reduzir sua malha aérea em quase 3%, cancelando voos de forma estratégica para mitigar o impacto financeiro.
De acordo com a liderança da companhia no Brasil, o setor enfrenta um período de forte turbulência, uma vez que o preço pago pelo combustível atualmente é o dobro do registrado em fevereiro. Embora não haja risco imediato de desabastecimento, a organização monitora de perto a situação com seus fornecedores e parceiros logísticos.
Para enfrentar este cenário desafiador, a Latam adotou uma série de medidas internas que incluem o controle rígido de despesas e o ajuste direcionado da capacidade de voos. A empresa também busca ampliar suas fontes de receita em categorias de serviços premium, tentando diminuir a dependência exclusiva do volume total de passageiros para manter suas margens de lucro.
Recentemente, a companhia recusou uma proposta de financiamento para compra de combustível oferecida pela Petrobras, sob o argumento de que o problema atual é o custo elevado do insumo e não a falta de crédito, que teria juros superiores aos praticados pelo mercado.
Além dos desafios econômicos, a transportadora acompanha com atenção debates regulatórios e trabalhistas, como a possível mudança na escala de trabalho nacional, que poderia comprometer a viabilidade de rotas internacionais. Como parte da estratégia de modernização e eficiência, a empresa aguarda a chegada de novas aeronaves da Embraer a partir do segundo semestre.



