Em visita a São Paulo, o presidente também anunciou bilhões em investimentos na estatal e criticou a venda de subsidiárias em gestões anteriores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta segunda-feira (18) o interesse do governo na exploração de petróleo na Margem Equatorial, região que abrange a Bacia da Foz do Amazonas. A declaração foi feita durante uma visita à Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo. De acordo com o presidente, a extração nessa área será conduzida com rigorosa responsabilidade ambiental para garantir a proteção do ecossistema local.
Lula justificou a iniciativa como uma medida essencial de defesa do território brasileiro. Ele expressou preocupação de que potências estrangeiras possam tentar reivindicar a região caso o Brasil não a ocupe e explore.
Mencionando diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula relembrou declarações passadas do líder americano sobre a posse de territórios de outros países e alertou que o Brasil precisa garantir a exploração local para reverter os lucros em prol do desenvolvimento da nação. No ano passado, a Petrobras obteve a licença ambiental necessária para iniciar pesquisas exploratórias nessa área, que é vista pelo mercado como uma nova e promissora fronteira petrolífera.
Proteção da Petrobras e controle de preços
Durante o evento, o presidente fez duras críticas às privatizações da BR Distribuidora, ocorrida em 2019, e da Liquigás, em 2020. Ele comparou a venda fatiada da estatal a um produto consumido aos poucos no balcão de uma padaria, afirmando que a estratégia era uma tentativa velada de extinguir a Petrobras sem enfrentar a resistência da população.
Para Lula, a manutenção da empresa sob controle do Estado é vital para proteger a economia interna das oscilações do mercado internacional. Ele argumentou que, caso a Petrobras fosse totalmente privada, os motoristas brasileiros pagariam muito mais caro pelos combustíveis em decorrência de conflitos no Oriente Médio.
O presidente explicou que o governo tem utilizado a arrecadação extra obtida com a exportação de petróleo, impulsionada pelas recentes tensões envolvendo o Irã, para subsidiar o preço da gasolina e do diesel nas bombas do país.
Investimentos bilionários e autossuficiência
O evento na Refinaria de Paulínia, a maior em operação no Brasil, também serviu como palco para o anúncio de 37 bilhões de reais em investimentos da Petrobras no estado de São Paulo até o ano de 2030.
Os recursos serão direcionados para áreas estratégicas como refino, logística, transição energética e exploração, com a expectativa de criar cerca de 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Apenas a unidade de Paulínia receberá 6 bilhões de reais para ampliar sua capacidade de processamento, passando dos atuais 434 mil para 459 mil barris diários.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, aproveitou a ocasião para destacar os avanços tecnológicos da estatal. Ela revelou que a refinaria paulista deve começar a produzir combustível de aviação com até 5% de conteúdo renovável até o final deste ano.
A executiva também mencionou a destinação de recursos para o Campo de Mexilhão e a iminente declaração de viabilidade comercial de uma nova reserva no bloco Aram, situado no pré-sal da Bacia de Santos.
No encerramento, Magda reforçou o compromisso da empresa com a segurança energética do Brasil. Atualmente, a Petrobras é responsável por fornecer 75% do diesel consumido em todo o território nacional e planeja aumentar essa fatia para 85% em breve. O objetivo final, alinhado com as diretrizes da Presidência da República, é alcançar a autossuficiência total na produção desse combustível até 2030.