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Brasil desmente versão dos EUA sobre brasileiro apontado como chefe de facções

Preso na Carolina do Norte após perseguição, Felipe Linares é apontado como líder criminoso pelos americanos, mas órgãos brasileiros confirmam apenas histórico de extorsão e golpes.

Brasil desmente versão dos EUA sobre brasileiro apontado como chefe de facções

A prisão de Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla nos Estados Unidos gerou forte estranheza entre as forças de segurança do Brasil. Conhecido pelos apelidos Don ou Dom, o brasileiro foi detido na Carolina do Norte após uma perseguição policial. Embora a imigração americana afirme que ele é um antigo líder do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho, órgãos como a Polícia Federal e os Ministérios Públicos de São Paulo e do Rio de Janeiro desconhecem qualquer papel de comando do suspeito nestas organizações.

Investigadores brasileiros esclarecem que a inclusão de Felipe na lista de procurados da Interpol ocorreu devido a uma condenação definitiva por extorsão, com pena superior a nove anos. As autoridades de inteligência afirmam que um verdadeiro chefe destas facções seria amplamente conhecido no país.

O histórico criminal do acusado envolve atuações no ramo do entretenimento e denúncias de estelionato, tráfico, ameaça e lesão corporal contra uma antiga namorada. Ele chegou a ser investigado por movimentações financeiras suspeitas por supostamente receber dinheiro de criminosos, fato que não o qualifica como grande líder.

Um dos crimes de destaque ocorreu na cidade de Campos do Jordão no ano de 2018. O acusado aplicou um golpe em um hotel de luxo, gerando um prejuízo de mais de nove mil reais. Ele pagou duas diárias com o próprio cartão de crédito, se hospedou usando seu carro particular e depois cancelou a compra junto ao banco alegando não reconhecer o gasto.

Como nunca foi localizado nos endereços registrados, Felipe vem sendo julgado sem estar presente no tribunal. Ele também responde judicialmente por se recusar a desocupar um imóvel que já havia sido vendido.

A captura nos Estados Unidos aconteceu de forma intensa. A polícia americana interceptou o foragido na cidade de Mooresville enquanto ele tentava fugir de carro em direção ao México, mantendo a própria esposa como refém.

O veículo sofreu um acidente durante a fuga, resultando em sua captura imediata. No interior do automóvel, os agentes apreenderam uma arma de fogo, dinheiro em espécie e telefones celulares. O governo brasileiro ainda apura os detalhes desta ocorrência.

Todo esse cenário ocorre em meio a divergências recentes sobre segurança pública. Em maio, o governo americano classificou os dois maiores grupos criminosos do Brasil como organizações terroristas. A gestão brasileira rejeitou o pedido para adotar a mesma classificação.

A cúpula da segurança pública explicou que a lei nacional exige motivações muito específicas, como discriminação racial ou religiosa, para que um ato se enquadre como terrorismo, perfil que não corresponde ao modelo de atuação destas facções.

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