Presidente do Senado alega que a leitura de requerimentos é uma decisão exclusiva da mesa diretora, ignorando a forte pressão por investigações financeiras.
Deputados e senadores de diferentes vertentes políticas aumentaram a pressão para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito focada em apurar as supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O dono da instituição, Daniel Vorcaro, encontra-se detido pela Polícia Federal desde o mês de março, sendo o principal alvo da operação Compliance Zero. Apesar das fortes cobranças durante a sessão matutina do Congresso Nacional, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recusou-se a ler os requerimentos que dariam início formal aos trabalhos da comissão.
Ao rejeitar as questões de ordem levantadas pelos colegas parlamentares, Alcolumbre justificou que a sessão conjunta havia sido convocada com o propósito exclusivo de avaliar os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A pauta principal era a restrição de repasses federais a municípios inadimplentes, prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
O presidente do Congresso argumentou que o momento adequado para ler os pedidos de investigação é uma escolha totalmente discricionária da presidência da mesa.
Durante os discursos no plenário, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro utilizou a tribuna para defender abertamente a instalação do colegiado. A manifestação ocorre em um momento de turbulência e desgaste para o político, após revelações recentes de que ele teria solicitado recursos a Vorcaro para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O parlamentar chegou a realizar visitas ao banqueiro enquanto este ainda utilizava tornozeleira eletrônica. Em sua fala, Flávio afirmou não ter nada a temer e desafiou Daniel Vorcaro e Augusto Lima a explicarem na comissão as relações mantidas com ele, com Lula e com o ministro Alexandre de Moraes.
A base governista também demonstrou forte adesão à apuração do caso. O deputado federal Lindbergh Farias confrontou diretamente o presidente do Senado, alertando que ele não conseguirá segurar a investigação de forma indefinida.




