Redução no preço de componentes importados favorece produção local, mas barateamento de mercadorias estrangeiras finalizadas preocupa lideranças do setor
A recente trajetória de queda do dólar em relação ao real gerou uma onda de otimismo moderado entre as lideranças da Zona Franca de Manaus. O entendimento geral é que essa mudança no câmbio favorece diretamente o polo industrial ao baratear a compra de matérias-primas e componentes essenciais para a fabricação.
No entanto, o cenário não é isento de riscos, pois a moeda americana mais baixa também facilita a entrada de produtos prontos vindos do exterior, com destaque para a forte concorrência asiática.
De acordo com a análise de Leopoldo Montenegro, superintendente da Suframa, a desvalorização da moeda estrangeira provoca reações distintas nas fábricas locais. No curto prazo, o efeito é positivo porque os custos de aquisição de insumos importados diminuem drasticamente.
Essa economia permite que as empresas recuperem suas margens de lucro, operem com maior eficiência e consigam oferecer preços mais atrativos para o consumidor brasileiro.
Contudo, Montenegro adverte que o real valorizado retira uma proteção natural do mercado nacional, tornando os itens importados de prateleira mais baratos e competitivos. Ele acredita que, se as variações forem moderadas, as vantagens fiscais e logísticas da região devem ser suficientes para manter a estabilidade do Polo Industrial.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Antonio Silva, compartilha da visão de que o momento é benéfico principalmente para os segmentos de eletroeletrônicos e motocicletas. Como essas áreas dependem fortemente de peças produzidas fora do país, a queda do dólar reduz a pressão da inflação nas linhas de montagem.
Isso possibilita que a indústria absorva variações de custos ou até diminua o preço final dos produtos, o que acaba estimulando as vendas no mercado interno. Por outro lado, Silva ressalta que essa mesma valorização cambial exige cautela, pois produtos acabados da Ásia podem inundar o varejo com preços muito baixos, além de tornar os produtos feitos no Amazonas mais caros para compradores de outros países, prejudicando as exportações.



