Escritor assume a cadeira número 6 em cerimônia prestigiada por grandes nomes da cultura
A Academia Brasileira de Letras (ABL) viveu uma noite histórica no Rio de Janeiro com a posse do escritor Milton Hatoum. Ovacionado ao entrar nos salões da instituição, Hatoum tornou-se oficialmente o primeiro autor nascido no Amazonas a integrar o quadro de imortais da casa.
Durante seu discurso, o romancista expressou profunda gratidão pela eleição e fez questão de dedicar a honraria não apenas à sua trajetória pessoal, mas a todos os leitores e, especialmente, aos professores brasileiros que utilizam sua obra como ferramenta de ensino e formação crítica em todo o país.
Identidade amazônica e projeção internacional
Nascido em Manaus em 1952 e filho de imigrantes libaneses, Hatoum construiu uma carreira multifacetada como arquiteto, jornalista, tradutor e professor universitário. Sua literatura é marcada pela habilidade de transformar o cenário amazônico em um palco para dramas universais que buscam decifrar a alma da sociedade brasileira.
Com mais de meio milhão de livros vendidos globalmente, o autor consolidou seu prestígio com obras premiadas como "Relato de um Certo Oriente" e o aclamado romance "Dois Irmãos", que alcançou o grande público através de uma adaptação televisiva de sucesso.
Celebração entre imortais e tributo à educação pública A chegada de Hatoum à cadeira número 6, anteriormente ocupada pelo jornalista Cícero Sandroni, foi festejada por colegas de peso como Gilberto Gil, Ana Maria Machado e Ailton Krenak, que destacaram a capacidade do autor de conectar o universo amazônico ao contexto global.
Ana Maria Machado revelou que o convite para a candidatura de Hatoum havia sido feito há mais de uma década, ressaltando o amadurecimento de sua significativa produção literária. Em um encerramento emocionante, o escritor, que trilhou sua formação integral em instituições públicas, rendeu homenagens aos seus mestres e celebrou a busca pelo conhecimento como uma alegria permanente.




