Julho verde ganha força e acende o alerta para a prevenção do câncer de cabeça e pescoço

Com o tema ‘ Seu corpo é sua vida. Não o destrua’, a campanha Julho Verde de 2020 traz o estímulo ao autocuidado para promover a prevenção do câncer de cabeça e pescoço, doença que atinge tanto homens quanto mulheres e está relacionada, principalmente, a fatores de risco como o tabagismo, alcoolismo e à falta de higiene bucal, explica a odontóloga Perla Assayag, membro da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc). O Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde (MS), estima pelo menos 260 novos diagnósticos da doença para o Amazonas, em 2020, incluindo cavidade oral, laringe e tireoide.

Iniciado há poucos anos no Brasil, o movimento Julho Verde reúne uma série de ações voltadas à prevenção e ao rastreio do câncer de cabeça e pescoço. Instituições como a Lacc e a Associação Câncer de Boca e Garganta (ACBG) apoiam a causa. No dia 27 de julho, é lembrado o Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço, data em que a campanha ganha força na mídia e atinge uma parcela importante da sociedade.

Com mais de uma década de experiência na área da oncologia, Perla Assayag , que também gerencia o Serviço de Odontologia da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), unidade de referência em cancerologia na Amazônia Ocidental, destaca que parte dos cânceres de cabeça e pescoço, em especial os de boca e garganta, tem relação com fatores ambientais.

O Inca afirma que os fatores de risco ambientais de câncer são denominados cancerígenos ou carcinógenos. Esses fatores alteram a estrutura genética (DNA) das células. Já as causas internas estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas.

Apesar de o fator genético exercer um importante papel na formação dos tumores (oncogênese), são raros os casos de câncer que se devem exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos.

Perla Assayag explica que o cigarro e as bebidas podem ser considerados fatores de risco ambientais por terem essa capacidade. Por isso, fumantes são mais propensos a desenvolver câncer de boca e orofaringe (garganta). “O consumo prolongado do cigarro altera a estrutura do tecido da boca, potencializando o aparecimento de feridas que podem evoluir para o câncer. Associado ao consumo de bebidas alcoólicas, o risco é ainda maior”, alerta.

A odontóloga explica que além de abandonar os maus hábitos, é importante visitar uma vez ao ano um especialista para avaliar a cavidade oral como forma de prevenir ou diagnosticar precocemente a doença, o que aumenta as chances de cura em caso de um eventual tratamento. Feridas como aftas, que persistem por mais de 10 dias, merecem uma análise mais especializada, pois podem indicar um sinal de alerta. Lesões persistentes em geral, também.

Quais são os cânceres de cabeça e pescoço?

O câncer de cabeça e pescoço engloba os tumores da cavidade nasal, seios da face, boca, laringe, faringe e glândula tireoide. Conforme a Estimativa 2020 do Inca, no Amazonas devem ser notificados 120 casos de neoplasias malignas na cavidade oral (boca), 90 de laringe e 50 de tireoide – este último apenas em mulheres.

Quando se trata do câncer de cavidade oral, a previsão é de 90 casos para homens e 30 para mulheres. O de laringe também predomina na população masculina, com 70 casos entre a população masculina e 20 para a feminina.

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